Tecnologia para águas complexas

Água produzida deixou de ser passivo.

Tratamento eletroquímico para águas oleosas de óleo e gás: o fenômeno, explicado em cinco etapas. Mostramos como o reator trabalha, quais rotas de destino existem e o que os ensaios precisam mostrar antes de qualquer implantação.

  • Eletrocoagulação · eletro-oxidação · eletroflotação
  • Módulos em skid de 10 m³/h nominais
  • Modelo de serviço: a unidade é nossa
  • Rota definida ensaio a ensaio
Role para ver o processo

O problema

Água produzida não é água suja. É uma emulsão.

Ilustração em linhas técnicas: gotículas finas de óleo dispersas em água, que se agregam em flocos maiores ao longo do fluxo.
Ilustração conceitual — emulsão óleo-em-água em escala microscópica: gotas finas e estáveis que só se separam depois de desestabilizadas.
  1. O que é água produzida

    É a água que chega junto com o óleo, extraída do reservatório na mesma corrente do petróleo. Vem emulsificada — gotas finas de óleo dispersas em água — com sal, sólidos e orgânicos dissolvidos. A composição varia com o reservatório e com a operação: não existe uma água produzida única.

  2. Por que é difícil

    A emulsão é estável por construção: gotas finas, tensoativos naturais e sólidos finos a estabilizam. A carga varia de poço para poço e de um dia para o outro, e essa química em movimento quebra dosagens fixas e soluções de prateleira. Tratar essa corrente exige um processo que se ajuste à matriz — e não o contrário.

  3. Por que só bombear e remover não resolve

    Sem quebrar a emulsão, óleo e sólidos seguem presos na água — para o tanque, para o caminhão, para o destino final. O passivo não desaparece: muda de lugar e volta como custo de operação. Por isso o tratamento começa pela separação de fases, e não pelo transporte.

A tecnologia

O reator produz o tratamento dentro da corrente.

No reator eletroquímico, uma corrente elétrica controlada gera, in situ, os agentes do tratamento: coagulante — íons metálicos liberados pelo eletrodo — e oxidantes — radicais hidroxila (•OH). A eletrólise usa corrente alternada de frequência variável, ajustada à carga da corrente. Nada é dosado de fora: o fenômeno nasce na própria corrente, e os parâmetros de operação são definidos ensaio a ensaio.

Ilustração em corte de um reator eletroquímico: placas-eletrodo energizadas, microbolhas subindo e flocos de óleo e sólidos em formação.
Ilustração conceitual de reator eletroquímico em corte — não representa um equipamento específico.

Eletrocoagulação

Os íons metálicos liberados pelo eletrodo destabilizam a emulsão: neutralizam cargas e agregam gotas de óleo e partículas em flocos. A coagulação acontece dentro da própria corrente, sem dosação externa de sais. É o primeiro passo para que as fases possam se separar.

Eletro-oxidação

Radicais hidroxila (•OH) oxidam orgânicos dispersos e compostos reduzidos, como sulfetos. A oxidação abre caminho para a separação e reduz a carga que chega ao polimento. O potencial oxidante nasce no eletrodo — não em tanque de dosagem.

Eletroflotação

Microbolhas formadas na eletrólise aderem aos flocos e carregam óleo e sólidos até a superfície. A flotação organiza as fases em camadas dentro do reator. Menos turbulência, separação mais limpa.

Separação e polimento

Óleo, água e lodo se organizam em fases distintas; a água tratada segue para filtração e ajustes finais. O polimento é dimensionado conforme o destino escolhido — descarte, reinjeção ou reúso. Cada destino tem seus critérios, e os critérios definem o acabamento.

Rotas reais combinam o reator com auxiliares de processo — polímeros, ajuste de pH, peróxido, filtração ou flotação — definidos ensaio a ensaio. Não entregamos um "processo único": montamos a rota que a sua matriz exige.

Validação por ensaios de tratabilidade em bancada e piloto, com análises em laboratório acreditado. O que os ensaios mostram para a sua corrente define a rota — não o contrário.

Infográfico

O fenômeno em cinco etapas.

Uma unidade em skid, cinco etapas. Acompanhe a corrente da chegada ao destino — e, na lente, o que acontece na escala da gota.

Na escala da gotaVista microscópica conceitual

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Chegada da corrente

A corrente chega com carga variável: emulsão oleosa, sal e sólidos finos.

Na escala da gota:Gotículas finas de óleo e sólidos finos dispersos na água, estabilizados por cargas e tensoativos naturais.

Esquema conceitual. Rotas e resultados dependem da caracterização do efluente e de ensaios de tratabilidade — não constituem garantia de desempenho.

Rotas

Para onde vai a água tratada.

Descarte conforme

Água tratada até atender aos critérios de descarte aplicáveis à sua operação e à sua licença. Os parâmetros exigidos definem o grau de polimento da rota. O atendimento é verificado por ensaio, com análises em laboratório acreditado — não por inferência.

Condição: Condicionado à matriz e à licença.

Reinjeção

Devolver a água tratada ao reservatório é o destino que reduz o volume retirado do campo. Antes da injeção, a corrente precisa se manter estável e compatível com a formação. Por isso a avaliação começa pela química da água e do poço — não pelo equipamento.

Condição: Condicionada à compatibilidade química com o poço.

Reúso industrial

Água polida para voltar ao processo — utilidades, lavagem, refrigeração ou outra operação interna. O objetivo do reúso define os parâmetros de qualidade e, com eles, o polimento necessário. Cada uso tem seu critério; o tratamento é ajustado a ele.

Condição: Exige polimento conforme o objetivo.

Rota em desenvolvimento

Óleo recuperado

Quebra de emulsão → flotação → centrifugação: uma rota para separar o óleo retido e devolvê-lo ao produtor. A rota segue em desenvolvimento e avaliação, distinta da corrente de água.

Proposta em avaliação, distinta da corrente de água.

Cases

O que medimos, amostra por amostra.

Quatro ensaios e pilotos, quatro matrizes distintas — offshore, curtume, terminal portuário e saneamento. Cada número vale para aquela amostra, sob a rota indicada. Repetir o resultado exige repetir as condições; é por isso que começamos sempre pela caracterização.

Dois frascos lado a lado: efluente escuro e corrente clarificada.
Óleo e gás — offshore

Água produzida offshore

Ensaio de tratabilidade em bancada (2025) sobre água produzida de ativo tipo FPSO.

Três rotas eletroquímicas comparadas; resultados da rota de oxidante intensificado — reator + auxiliares + filtração.

Amostras de água produzida offshore passaram por três rotas eletroquímicas comparadas em bancada. A rota de oxidante intensificado — reator, auxiliares e filtração — apresentou a melhor combinação de remoção de óleo disperso e de carga orgânica, com energia medida também em operação de campo. O resultado sustenta a próxima etapa: ensaio em escala maior.

TOG
204 → < 5 mg/L (97,5% de remoção)
DQO
4.399 → 301 mg/L (93,2%)
H₂S
7,25 → 0,04 mg/L (> 99%)
Energia em campo
0,25–0,67 kWh/m³

Resultado daquela amostra, na rota ensaiada; TOG tratado abaixo do limite de referência CONAMA 393/2007 (29 mg/L).

Tanque de processo com líquido em separação.
Curtume

Efluente de curtume

Efluente bruto pós-filtro de disco (bancada, sem ajuste de pH) e efluente pós-ETE em fluxo contínuo (2026).

Reator + auxiliares — polímeros; pH 5,0 com ácido no contínuo — + filtração/flotação.

Efluente de curtume é carga orgânica alta e variável. Ensaiamos duas correntes distintas — bruto pós-filtro de disco e efluente pós-ETE — em bancada e em fluxo contínuo, ajustando polímeros e pH ensaio a ensaio. A rota confirmou remoção expressiva de DQO e turbidez naquelas correntes, com filtração e flotação completando o acabamento.

DQO (bruto)
3.800 → 200 mg/L (94,7%)
Turbidez
> 500 → 1 NTU (> 99,8%)
DQO (pós-ETE)
580 → 21 mg/L (96,4%)
N-amoniacal
60 → < 4 mg/L (> 93%)

Dois pontos de amostragem distintos (bruto e pós-ETE); valores válidos para aquelas correntes e rotas.

Mangueiras de carregamento em cais portuário.
Terminal portuário

Blend de correntes portuárias

Blend de cinco correntes portuárias — água do mar, água de poço, drenagens; etapa primária em bancada (2026).

Reator + polímero aniônico + filtração.

Correntes portuárias somam origens diferentes no mesmo terminal: água do mar, água de poço e drenagens. Ensaiamos o blend como etapa primária, com reator, polímero aniônico e filtração. A etapa demonstrou remoção de matéria orgânica e de sólidos, e apontou o que faltava: polimento adicional para o nitrogênio antes de qualquer descarte.

DBO
375,8 → 28,7 mg/L (92,4%)
DQO
788,5 → 57,9 mg/L (92,7%)
SST
380 → 31 mg/L (91,8%)
Dureza
1.744 → 258 mg/L

Etapa primária apenas: nitrogênio ainda não conforme; polimento adicional necessário para descarte.

Unidade em skid com tanque e colunas de filtração.
Saneamento

Piloto contínuo em ETE municipal

ETE municipal; piloto contínuo de 1 m³/h com operações unitárias integradas (2026).

Piloto integrado em regime contínuo.

Um piloto contínuo de 1 m³/h operou integrado a uma ETE municipal, com as operações unitárias da futura unidade em skid. O objetivo do piloto não foi bater recorde: foi demonstrar estabilidade de operação em condições reais de estação. A validação analítica por laboratório acreditado segue em andamento.

Escala do piloto
1 m³/h (contínuo)

Desempenho qualitativo; validação por laboratório acreditado em andamento.

> 90%rendimento eletrolítico do reator
0,25–0,45 kWh/m³por 1.000 mg/L de DQO removida (bancada)
6 mintempo de reator em ensaios de bancada
10 m³/hpor módulo em skid (nominal)

Faixas medidas em ensaios e capacidades nominais de equipamento; o dimensionamento real depende da caracterização do efluente.

Resultados de ensaios de tratabilidade em bancada e piloto, com análises em laboratório acreditado; valores medidos naquelas amostras, sob as rotas indicadas — não constituem garantia de desempenho.

Modelo

Serviço, não equipamento.

Você contrata o tratamento da corrente — não um ativo na sua planta. A unidade é nossa: entra como serviço, dimensionada e operada para a sua matriz.

  • Sem aquisição de equipamento pelo cliente: a unidade é nossa e permanece nossa. Contrata-se a corrente tratada, não o ativo.
  • Unidade modular em skid, dimensionada a partir da caracterização do efluente e dos ensaios de tratabilidade. Módulos de 10 m³/h nominais se somam conforme o volume.
  • Operação, automação e telemetria remotas: parâmetros monitorados à distância, com registro contínuo de desempenho.
  • Desempenho acordado a partir da caracterização do efluente — e verificado ensaio a ensaio, não prometido de catálogo.
Ilustração isométrica de unidade de tratamento em skid: reator eletroquímico, vaso de separação de fases e colunas de filtração interligados.
Ilustração conceitual de unidade em skid — o arranjo real sai da caracterização e dos ensaios.

Processo

Da primeira amostra à operação monitorada.

Um fluxo de projeto em cinco etapas, da caracterização do efluente à operação rotineira. Cada etapa decide a seguinte: nada é dimensionado antes de medir, e nada é implantado antes de ensaiar.

  1. Caracterização

    A corrente do cliente é amostrada e caracterizada: matéria orgânica, óleos e graxas, sais, sólidos, pH. A caracterização responde à pergunta inicial — qual água é essa, e o que a torna difícil.

  2. Ensaio de tratabilidade

    Ensaios em bancada e, quando necessário, piloto testam rotas que combinam o reator com auxiliares de processo. Análises em laboratório acreditado medem o que cada rota entrega naquela matriz.

  3. Dimensionamento

    Com a rota validada, a unidade em skid é dimensionada: módulos, tempo de reator, auxiliares e polimento. O dimensionamento sai dos números do ensaio — não de tabela de catálogo.

  4. Implantação

    A unidade chega montada em skid e é integrada à operação existente. Módulos se somam conforme o volume, e a implantação respeita a rotina da planta — não o contrário.

  5. Operação monitorada

    Operação, automação e telemetria remotas acompanham a unidade em regime. O desempenho é o acordado a partir da caracterização; o acompanhamento é contínuo, com registro dos parâmetros.

Cada corrente começa pela caracterização — dela saem a rota, o dimensionamento e o desempenho acordado. Se os ensaios mostrarem que a matriz não comporta o destino desejado, dizemos antes de implantar.

Registro de campo

Imagens de instalação e processo da nossa base de operação, sem identificação de clientes, unidades ou locais. Registro documental: como o equipamento se apresenta e opera no dia a dia.

Detalhe de vaso e tubulação.
Separação de fases em tanque.
Amostras lado a lado — referência conceitual.
Bancada de análises e controle.
Filtração e polimento em skid.
Detalhe de vaso de processo conectado a tubulações.

Briefing

Monte seu briefing técnico.

Responda o essencial — setor, origem, volume e objetivo. O resumo é gerado aqui, no seu navegador, em texto pronto para colar no e-mail: nada é enviado, nada é armazenado fora do seu aparelho.

Setor
Origem da corrente
Faixa de volume
Objetivo
Analíticos conhecidos

Seu resumo fica somente neste navegador.

Resumo do briefing

BRIEFING TÉCNICO — LIMEN
Setor: Não informado
Origem da corrente: Não informado
Faixa de volume: Não informado
Objetivo: Não informado
Analíticos conhecidos: Não informado
Observações: Não informado

Perguntas frequentes

O que nos perguntam antes de começar.

Vocês vendem o equipamento?

Não. O modelo é serviço: contrata-se o tratamento da corrente, e a unidade em skid é nossa. O cliente não adquire ativo, não opera a unidade e não carrega a responsabilidade de manter o processo ajustado.

O que precisamos enviar para começar?

Uma amostra representativa da corrente e o contexto da operação: origem, volume, destino desejado e restrições locais. Analíticos recentes ajudam; se não houver, a caracterização inicial resolve.

O tratamento é livre de produtos químicos?

Não afirmamos isso. Rotas reais combinam o reator com auxiliares de processo — polímeros, ajuste de pH, peróxido, filtração ou flotação — definidos ensaio a ensaio. O que a eletroquímica faz é gerar in situ os principais agentes do tratamento, reduzindo a dependência de dosagens externas.

Quanto tempo leva um ensaio de tratabilidade?

Depende da matriz e da disponibilidade da amostra: caracterização, ensaios em bancada e análises em laboratório acreditado — cada etapa tem seu prazo. Não prometemos prazo fixo sem conhecer a corrente; o cronograma é acordado depois da caracterização.

A reinjeção serve para qualquer poço?

Não. A reinjeção é condicionada à compatibilidade química entre a água tratada e o poço: misturas incompatíveis podem gerar precipitados e comprometer a formação. A avaliação começa pela química da água e da formação, antes de qualquer decisão de injeção.

O óleo recuperado entra na proposta?

Como rota em desenvolvimento. A sequência — quebra de emulsão, flotação, centrifugação — é distinta da corrente de água e segue em avaliação. Quando madura, devolve óleo ao produtor; até lá, não a apresentamos como rota consolidada.

Como se escala de bancada a skid?

Pela mesma rota, validada em etapas: bancada, piloto quando necessário, e só então o dimensionamento da unidade. Módulos de 10 m³/h nominais se somam conforme o volume, e os parâmetros de operação saem dos ensaios — não de extrapolação.

O que este site não garante?

Nenhum número de resultado. Valores de remoção valem para a amostra e a rota ensaiadas; cada corrente nova exige caracterização e ensaio dedicados. O que acordamos é um processo: medir primeiro, dimensionar depois, operar com acompanhamento.

Sobre

Projeto em estruturação para águas complexas.

A LIMEN é um projeto em estruturação dedicado a águas complexas — oleosas, salinas, de carga variável. Partimos de uma tecnologia eletroquímica com histórico de operação e a organizamos como serviço: caracterização, ensaio de tratabilidade, dimensionamento em skid, implantação e operação monitorada, caso a caso. O modelo nasceu de uma constatação simples: a maioria das operações não quer operar uma planta de tratamento — quer a corrente resolvida.

Falamos a língua técnica e evitamos promessas. O que vale é o que os ensaios mostram para a sua corrente, medido em laboratório acreditado e discutido com os números na mesa. Onde a rota exige auxiliares, dizemos; onde o destino é condicionado — à matriz, à licença, à compatibilidade com o poço —, escrevemos a condição junto. É assim que acreditamos que confiança se constrói: com condições explícitas, não com superlativos.